De Frente Com Gloss

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#DeFrenteComGloss: Glória Perez

Ela é mãe da Jade, do Raj, da Maya, do Albieri (por incrível que pareça), da Sol, da Lala Nazira e até do Tio Ali….

Ela nos ensinou que inshalá significa “muito ouro”, que “tudo está escrito” é maktub (O Dourado do BBB até tatuou, rs) e deixou todo mundo com medo de arder no mármore do inferno e de levar chibatadas na medina…! Coragem!

Ultimamente, ela tem deixado uma galera #chatiada e um pessoal louco da vida sem saber o que vai ser da Morena, do bonde das traficadas da Turquia e da gangue da Wanda e do Livião…

Sim, amados! Vamos estrear esse blog com nada mais nada menos que Glória Perez, a autora de Salve Jorge! Glória foi muito gentil comigo e arrumou um tempo na sua agenda megadisputada  (ela escreve a novela sozinha) para responder umas perguntinhas que eu sempre quis fazer. Sim, eu tomei alguns “Vráss” na cara, mas todo curioso  que se preze tem que perguntar sabendo que está colocando o nariz pra jogo, né? Não me arrependo de ter me sacrificado em nome de todos os noveleiros do Brasil! Tentei conseguir algumas novidades sobre a novela, mas ela é quase a delegada Helô: dura na queda! Enjoy! Allah Allah! #ContaTudoMorena

HG – Em tempos de redes sociais, todo mundo vira crítico. Você é superativa nas suas redes e, consequentemente, recebe feedback em tempo real de todas as cenas. Isso tem alguma influência no seu trabalho? Ler tweets que criticam a novela não te incomoda?

Glória Perez – Sou do tempo da BBS, e Explode Coração foi a primeira novela interativa, pensada com base na experiência vivenciada ali e desenvolvida em contato direto com as reações daquele público. Claro, a amostragem era infinitamente menor, mas minha intimidade com essa espécie de diálogo é antiga. A amplitude que as redes sociais tomaram hoje dá margem a muita manipulação, com fakes, trolls, flashmobs, etc. Então o feedback que vem desse universo precisa ser interpretado com o devido cuidado. Há que saber selecionar, diferenciar o que é crítica honesta do que é perseguição e molecagem.

Há um preço a pagar quando se pensa à frente, e eu venho pagando com muito gosto, ao longo da minha carreira. Aliás, nesse terreno, tenho um baú de piadas, mas a melhor delas é mesmo a batalha dos “críticos” contra a internet. Virei a piada da hora por contar, em 1997, uma história em que um computador falava com outro. Pois é…

 

HG – A morte da Jéssica foi um dos momentos mais aguardados da novela. Por que você escolheu a morte com aquela seringa? Foi baseada em fatos reais? Teve alguma influência do seriado Dexter?

Glória Perez – Até foi baseada em fato real, mas não precisaria ser. Às vezes leio umas observações assim e me pergunto: por que raios quem não gosta de ficção assiste a novelas? Tenho preguiça de certos comentários do tipo: “todo mundo fala português na Turquia”, só pra dar um exemplo. Da mesma forma como todas as personagens brasileiras, do Nordeste ao Leblon, falam árabe, inglês, hindi, enfim, a língua do local onde a novela esteja sendo exibida.

Voltando à Jéssica, a seringa é muito utilizada por essas máfias: a pessoa morre de overdose, então o ato de injetar aquela quantidade letal pode ser atribuída a ela própria. Bem mais seguro do que recorrer a outro tipo de arma.

 

HG – Recentemente a revista VEJA publicou uma nota dizendo que Salve Jorge possui no elenco as chamadas “Orelhas de Luxo”, atores e atrizes que só servem para ouvir os reclames dos protagonistas e que seriam subaproveitados. Você acha que eles têm razão?

Glória Perez – Quando a crítica é publicada antes da estreia, não dá pra levar a sério. Fica tão claro, não fica?

 

HG – Você acha o Theo o cara perfeito? Ele não é um pouco retrógrado e machista? E ainda mora com a mãe, gente! Não há a chance de aparecer um novo boy pra disputar a Morena com ele? 

Glória Perez - Ele é um militar padrão e foi criado pra assim ser. É preciso aceitar que nem todo mundo é da tchurma, existem modos de ser e de viver a vida diferentes daqueles que dominam nos points de São Paulo e Rio! Tenho sempre batido nessa tecla em todos os meus trabalhos, incentivando a aceitação da diferença. Sim, do ponto de vista de um pessoal mais descolado, o Theo é certinho demais. Do ponto de vista do Theo, os descolados também não correspondem à imagem bacana que fazem de si próprios. E daí? O mundo tem lugar para todos, e o mundo definitivamente não é do tamanho do nosso umbigo, ainda que muita gente não consiga enxergar além desse limite.

 

HG – Agora que a Jéssica morreu, só a Valesca, Morena e Rosângela vão ter fala no núcleo das traficadas? Precisamos de novas integrantes. Alguma chance de mais gente do elenco ser traficada? Tenho várias sugestões: Márcia, Lurdinha, Maria Vanúbia…

Glória Perez - Não, não… O desenrolar da trama não precisa disso.

 

HG – O que tanto a delegada compra, pelo amor de Deus. É meu sonho saber. Ela nunca abre mesmo? Ela tem aquela doença do acúmulo? Você pretende explorar isso? Podia fazer um bazar com as coisas dela #BazarDaDelegada, né?

Glória Perez - É uma característica da personagem que não será aprofundada necessariamente. Ela tem compulsão por compras. Quem tem esse problema compra qualquer coisa, não importa o objeto adquirido, a satisfação está no ato de comprar. Geralmente essas pessoas nem desembrulham o que compram.

 

HG – É verdade que na Turquia até as cavernas tem Wi-Fi melhor que a do Brasil, ou isso você inventou?

Glória Perez - Claro que é verdade! Hotéis que se incluem entre os mais luxuosos do mundo estão localizados em cavernas, e não só na Turquia. Caverna ali é moradia: existem as simples e as luxuosas, da mesma forma que casas e apartamentos entre nós.

 

HG – Wanda e Lívia são amigas, ou podemos esperar que uma se volte contra a outra no futuro? Qual a história das duas? Você poderia contar ao menos como elas se conheceram… Haverá um flashback contando como a quadrilha começou?

Glória Perez - Não sei te dizer ainda.

 

HG – Várias seguidoras me twittam dizendo que acham o Russo um gato e que têm um tesãozinho nele. Você pensou nele com esse sex appeal?

Glória Perez - É verdade, eu recebo muitas demonstrações de encantamento explícito pelo Russo, pelos modos do Russo até. Bem… tem gosto pra tudo, não é? Sorte a dele!

 

HG – A Morena já fez programa? Nunca apareceu…

Glória Perez - Nem precisa, não é? Está implícito. Esse é um tema muito forte, muito duro, tenho que ter muito cuidado com a maneira de contar, para que esteja adequado às limitações de uma novela.

 

HG – Wanda virou uma grande vilã, mas percebo momentos de conflito e humanidade nela. Ela esconde algum segredo? Tipo um filho, sei lá…

Glória Perez - Conflito na Wanda? Onde você viu isso????? Bem… Ela é humana, é uma psicopata, e os psicopatas são uma possibilidade do humano. O que não quer dizer que tenham sentimentos humanitários.

 

HG – O dinheiro da Lívia vem todo do Tráfico? Porque ela é famosa, né? Ela trafica por prazer?

Glória Perez - O dinheiro dela vem do tráfico, claro. Ela tem a fachada, e o que a faz famosa é a fachada. É claro que essa máfia é muito ampla, envolve conexões internacionais e nacionais, inclusive. Mas está sendo mostrada através dessas personagens apenas. A função da novela é unicamente contar uma história que é ficção, mas dá visibilidade a uma modalidade de crime muito cruel e que se torna cada dia mais rentável pela dificuldade que as pessoas têm de acreditar que ela exista. A função de demonstrar essa amplitude e como a coisa funciona na vida real seria do jornalismo.

 

HG – Você já sabe o fim da novela?

Glória Perez - Tenho uma ideia, mas novela é obra aberta, as personagens vão ganhando vida própria e fazendo coisas que, muitas vezes, se desviam do que foi pensado antes para elas.

 

por Diogo Alcantara, 7 de fevereiro de 2013

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