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Björk dá detalhes sobre abusos de Lars von Trier após diretor negar acusações

Nesta semana, Björk relatou sua experiência de assédio sexual na indústria cinematográfica quando trabalhou com um “diretor dinamarquês”. Apesar de não especificar a pessoa, o nome de Lars von Trier veio à tona, já que foi o único cineasta dinamarquês com quem a cantora trabalhou, quando protagonizou o filme “Dançando no Escuro” em 2000.

Depois do próprio Von Trier negar as acusações, Björk resolveu dar mais detalhes do abuso sofrido, citando a recente campanha #MeToo, que expõe a questão global do assédio contra as mulheres. Em uma nova postagem no Facebook, a cantora deu exemplos de abusos que sofreu no set de gravações e relatou uma investida do cineasta num hotel, mesmo com sua esposa por perto. Confira:

in the spirit of #metoo i would like to lend women around the world a hand with a more detailed description of my…

Publicado por Björk em Terça-feira, 17 de outubro de 2017

No espírito da #MeToo, eu gostaria de ajudar as mulheres em todo o mundo com uma descrição mais detalhada da minha experiência com um diretor dinamarquês. É extremamente difícil assumir algo desta natureza publicamente, especialmente quando você é ridicularizada pelos infratores. Eu simpatizo plenamente com todos os que hesitam, mesmo por anos. Mas eu sinto que é o momento certo, especialmente agora, quando se pode fazer uma mudança. Aqui vai uma lista dos momentos que eu acho que contam como assédio sexual:

1 – Depois de cada tomada, o diretor se aproximava e envolvia seus braços em volta de mim por um longo tempo na frente de toda a equipe ou quando estava sozinho, e às vezes me acariciava por minutos contra minha vontade.
2 – Quando eu disse depois de dois meses que ele tinha que parar de me tocar, ele explodiu e quebrou uma cadeira na frente de todos no set, como alguém que sempre foi permitido acariciar suas atrizes. Então todos nós fomos mandados para casa.
3 – Durante todo o processo de filmagem, houve ofertas sexuais constrangedoras e indesejadas sussurradas com descrições gráficas, às vezes com sua esposa perto de nós.
4 – Enquanto filmávamos na Suécia, ele ameaçou subir da varanda do seu quarto para o meu no meio da noite com uma clara intenção sexual, enquanto sua esposa estava no quarto ao lado. Eu corri para o quarto dos meus amigos. Foi isso que, finalmente, me fez despertar para a severidade de tudo isso e me defender.
5 – Histórias fabricadas na imprensa por seu produtor sobre eu ter um comportamento difícil. Isso combina muito bem com os métodos e o bullying de [Harvey] Weinstein. Eu nunca comi uma camisa. Não tenho certeza de que isso seja possível.
6 – Eu não me conformava ou concordava em ser assediada sexualmente. Isso foi retratado como eu ser difícil. Se ser difícil é confrontar esse tipo de coisa, eu assumo que fui mesmo.
Esperança!
Vamos romper essa maldição!
“, escreveu ela.

Nesta segunda-feira (16), Von Trier se defendeu afirmando a um jornal dinamarquês “que não foi o caso”, acrescentando que Björk entregou uma das melhores performances de todos os seus filmes. Peter Aalbaek Jensen, agente do cineasta, também negou as acusações da cantora. “Pelo que eu lembro, fomos vítimas. Aquela mulher era mais forte que Lars von Trier e eu e nossa empresa juntos“, disse.

por Raphael Amador, 17 de outubro de 2017

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